Fórum

Neste espaço, palestrantes que participaram do ECAT respondem a perguntas feitas por estudantes e profissionais de comunicação.

Pergunta de Felipe

Por que a Imprensa regional é tão interiorana no que se refere ao investimento para melhoria e fortalecimento das empresas? Em outras regiões do Estado o leque de empresas de comunicação é bem maior. 

Resposta de Maria Teresa Arbulu – Diretora da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP Brasil)

Temos um histórico longo com a imprensa escrita aqui em Mogi, em especial, com o jornal. Considero expressiva a presença na comunidade, contando com o jornal O Diário (que consegue ser diário sem circular às segundas!), o tabloide Mogi News, DAT, Diário de Suzano, a publicação A Semana, sem contar o que circula nas demais cidades que representam o Alto Tietê.

Considero que o avanço em termos de técnicas de impressão e qualidade do produto final também sempre foram observadas ao longo do tempo, em especial no novo século, na era digital.

A estagnação hoje existente no impresso decorre das imperativas mudanças de hábito, que assola toda a imprensa que colocava seu conteúdo em forma de material impresso. Todos os meios são afetados pela presença da rede em nossas vidas.

É irreversível. E aqueles canais que olharem para a rede pensando em injetar conteúdo conseguirão sobreviver, mas ainda assim, muitas etapas estão por vir e nós não conseguiremos detectar porque são fenômenos em beta, isto é, colocamos em prática e logo mais adiante, já aparece algo novo que encanta o público.

Ponto que destaco foi a chegada da Rede Globo, com sua afiliada TV Diário, que impulsionou o mercado com a geração de novos negócios da área do marketing e comunicação, bem como elevou o padrão de jornalismo seguindo as regras da matriz, estimulando a classe jornalística como um todo. É o fazer global com o olhar regional.

Um outro aspecto relevante neste mercado editorial é a sustentação de títulos de revistas mensais ou bimestrais que circulam na região, também reflexo desta época em que fotos, textos curtos, colunas sociais e temas diversos se confundem com publish editorial. Esta é uma tendência na linguagem das revistas em geral. Neste quesito entendo que a área de jornalismo está melhor equacionada do que o projeto gráfico das revistas e as soluções dos anúncios na área comercial. Ainda há uma demanda para os publicitários mostrarem que não trata-se somente da “arte”, mas sim de como a marca “conversa” com o público. Evidente que não estou me referindo à qualidade de impressão pois tanto em Mogi como na região temos fornecedores do ramo gráfico com excelência na qualidade da impressão e de todo o processo.

cristina gomesResposta de Cristina Gomes – secretária de Comunicação Social de Ferraz de Vasconcelos.

Com toda esta crise econômica e política pelo qual o País passa, os jornais estão mais preocupados em sobreviver e não melhorar e ampliar a qualidade das suas publicações. As redações estão enxutas e, ao meu ver, o que importa mesmo a quem está na linha de frente dos jornais é ter o jornal todos os dias nas ruas independente da qualidade editorial.

O Alto Tietê tem uma mentalidade retrógrada quando diz respeito a esta qualidade porque geralmente o exemplo vem do vizinho ao lado. Se o concorrente não está investindo, lançando novos produtos, contratando bons profissionais, lançando colunas e serviços, o momento é de apertar o cinto, reduzir as despesas e parar mesmo de investir.

Infelizmente quem sofre são os profissionais que trabalham nas redações, que precisam além de fazerem o seu serviço, o do colega que deixou a empresa. Os leitores também sofrem por verem releases dos mais variados órgãos para preencher o espaço que poderia ser de uma matéria produzida pela equipe.

Realmente, em outras regiões do Estado a imprensa parece ser mais fortalecida, mas de uma forma geral, todas estão sofrendo, fechando as portas, demitindo jornalistas e fotógrafos. E a realidade vem mudando em nossa região.

Iniciativas como a do 2º Encontro de Comunicação do Alto Tietê (Ecat) são mais do que válidas. São realmente necessárias. Isso porque sofremos quando a empresa em que trabalhamos reduz o quadro de funcionários, mas o jornalista fica sempre na sua. Não vai para a rua, não protesta. Pelo contrário, ele tenta dar conta do recado da forma que dá – muitas vezes até em péssimas condições e até comprometendo, de certa forma, o resultado final, ou seja o seu trabalho.

Mais do que nunca está comprovado que o modo de se fazer comunicação tem mudado. Acho que os jornais ainda não acharam o caminho certo para fazer um produto mais atrativo, que faça a diferença na vida do leitor. Diante de tantos meios de comunicação rápida, o verdadeiro papel do jornal, tem perdido a sua essência – de ficar para a história, de documentar o ocorrido, de dar legitimidade ao fato. Mas sou uma entusiasta do jornal – acredito que ele não vai morrer, mas deve passar por uma transformação profunda como a que já estamos presenciando.

Onde vamos chegar?  Só mais para a frente teremos resposta para esta pergunta e saberemos o nosso destino. Eu mesma, que já trabalhei há 15 anos numa redação fui demitida e agora trabalho numa assessoria de imprensa. Tenho muitos colegas que tomaram o mesmo caminho.

Pergunta de Lucas

Qual é a rede social que mais influencia atualmente? Por que?

Resposta de Fernando Martins – proprietário da agência F Martins Comunicação Integrada.

Influência é uma palavra interessante. Mas para responder essa pergunta é importante questionar “influencia quem?”.

Se pensar em mim, que não sou um heavy user de redes sociais, INSTAGRAM é a bola da vez. Se falarmos num trabalho mais massificado (e impulsionado) o FACEBOOK é imbatível. Para apoio a outros veículos e interatividade, o TWITTER dispara na frente. Mas tem também o YOUTUBE que tem um impacto muito grande por oferecer um formato de vídeo com qualidade, e é o mais próximo que temos de uma boa e velha televisão. Enfim, não dá pra cravar uma apenas que mais influencia. Certamente um bom plano com objetivos claros, com conhecimento aprofundado do target e que premie a integração de diferentes mídias é o mais adequado.

 

Pergunta de Paulo Tarini

Cursos de Educação à Distância (EAD) podem formar bons profissionais dos cursos de Comunicação? 

Acredito que EAD forma bons profissionais e funciona como uma instituição de ensino presencial no sentido de sua estrutura e proposta pedagógica. Na internet quase todos os serviços e produtos podem ser avaliados por clientes / consumidores. Vale a pena checar.

O aluno no EAD precisa ter mais disciplina, dedicar-se ao estudo sem estar em grupo presencialmente. É uma rotina bem diferente e a rede nos proporciona acesso a cursos aqui no Brasil e no exterior. E muitos, gratuitos – https://catracalivre.com.br/geral/educacao-3/indicacao/mit-e-harvard-oferecem-cursos-online-gratuitos/

cristina gomesAcredito que possa ser uma complementação a uma formação já consolidada e iniciada numa faculdade tradicional. Hoje são várias as opções e modalidades de cursos que exigem do aluno uma dedicação e um tempo disponível. Depende muito da pessoa se esforçar para tirar o máximo de aproveitamento do que ela se propõe a fazer. Acho mesmo que uma especialização, extensão, mestrado ou doutorado não deve ser na área em que você se formou. Pode ser numa área em que se complemente, assim você poderá ‘cavar’ novas oportunidades de trabalho e quem sabe um emprego numa área que você nem imaginava que poderia trabalhar. Hoje, o profissional deve estar aberto a testar novos conhecimentos e novas áreas. O mercado exige isso.

Pergunta sem identificação
Sempre tivemos pouco tempo para entregar um trabalho em um jornal diário, por exemplo. Temos, sim, em comunicação que trabalhar com calma e empoderamento, porém, essa é uma área em que devemos estar prontos para excelentes trabalhos e pouco tempo. Concordam?

A pergunta já tem sua resposta. Dedicamos um breve parágrafo para tratar da falta de tempo que o jornalista tem entre pegar a pauta e entregar a matéria. Não passei por redação, mas trabalhei, muitas vezes, com assessores de imprensa no segmento corporativo, antes mesmo da dita “revolução digital”. Sempre foi uma área onde as entregas eram “pra ontem”. Hoje, mais ainda porque as redes, o WhatsApp e todos os aplicativos atropelaram as laudas. É como se agora fosse tudo em 145 caracteres do Twitter. Também é assim na Propaganda, nas agências, pequenas, médias e grandes.

Exceções ficam com os articulistas que escrevem uma vez por semana e dedicam-se a pesquisar inúmeras fontes ou com os escritórios dedicados ao branding, que desenvolvem projetos com começo, meio e fim dentro de um calendário, com um planejamento para o desenvolvimento do projeto.

O ritmo das entregas é alucinante, corre-se o risco da juniorização em todos os setores, onde é latente a falta de conhecimentos gerais e da língua portuguesa, naquilo que é essencial ao profissional de ambas as cadeiras, Jornalismo e Propaganda. O contraponto são as capacitações natas que estes novos profissionais têm em sua essência. São seres digitais, pensam em economia criativa, em ser empreendedores, ter uma vida saudável e um trabalho que em todos os dias queiram contribuir e participar. E ainda conseguem tempo para atuar no terceiro setor, em ONGs, como voluntários, sempre por uma causa nobre. Estamos em mais um tempo de transição. Que sorte a nossa, pois só assim aperfeiçoaremos os requisitos para sermos melhores cidadãos, por consequência, potenciais profissionais de excelência.

 

cristina gomesTrabalhar num jornal diário dá agilidade e a possibilidade de você se virar para dar conta da ‘pauta’ de todos os dias, mas há outros veículos também interessantes em que você consegue trabalhar melhor o seu texto como a assessoria de imprensa e até mesmo revistas onde você pode, inclusive, ousar sem a necessidade da notícia imediata – do lead padrão do que é mais importante (que, quem, onde, como e porquê).

Para o dia a dia, a agilidade se faz necessária, mas quando você quer um pouco mais da leitura e não apenas o simples fato da notícia em si, o que você busca? Análises mais aprofundadas feitas por articulistas e colunistas, além de matérias mais aprofundadas. Para buscar isso, as pessoas não vão atrás de sites e internet, mas de uma revista ou uma matéria especial para formar a sua convicção sobre o determinado assunto ou o programa de televisão com análise mais aprofundada sobre o tema.

Tem muita diversidade na comunicação e cabe a pessoa escolher aquela que mais atinge a sua expectativa, embora quanto mais veículos ela ouvir, mais embasada estará politicamente e culturalmente falando.  Trabalhar em jornal ainda mais diário, rádio ou televisão te capacita para qualquer outro veículo. Correr contra o relógio e o tempo é mesmo em jornal diário, rádio ou televisão. Nos demais veículos, a tranquilidade para se trabalhar é maior e melhor, mas por outro lado, não tem a adrenalina e o fascínio da profissão. Mas cada atribuição que é feita traz uma satisfação diferente.

 

Pergunta sem identificação

Considerando a pesquisa que apontou que 57,7% se sentem inseguros e uma parte considerável pensa em fazer especialização em outra área, vocês acreditam que a pesquisa reflete um desânimo dos jornalistas já no início da carreira?

cristina gomesAcredito que sim. Se jornalistas mais experientes estão desempregados, o que dirá de quem ainda está iniciando na profissão. Realmente é decepcionante quando você vê mercado restrito, péssimas condições de trabalho e a falta de reconhecimento. Quando comecei na profissão, o máximo era trabalhar em redação. Cheguei a trabalhar de graça durante um ano, para ter uma certa experiência. Hoje tem muita gente que não pensa assim e não dá para pensar apenas em redação. O jornalismo traz um leque muito grande de opções, variedades e novos caminhos. O que era glamour ontem em trabalhar em redação, hoje já não é mais. E existem muitas outras opções como sites, revistas, assessorias, redes sociais. O que importa mesmo é conseguir um lugar ao sol e fazer o que se gosta. Mas, manter-se no jornalismo e tirar o sustento para o dia a dia está cada vez mais difícil.