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Realidade da Comunicação Regional

Agnes Arruda*

O mercado em comunicação NUNCA foi fácil. Para afirmar isso, basta fazer um simples resgate histórico e considerar as características das profissões, tanto de Jornalista, quando de Publicitário, e ver como elas refletem no dia a dia do profissional contemporâneo.

Antes, no entanto, há de se dizer que a informação sempre foi vista como sinônimo de poder e, por isso, sempre foi usada de maneira estratégica por aqueles que a detinham.

Pode parecer óbvio, redundante, fazer tal afirmação diante do que temos assistido da imprensa brasileira recente: uma cobertura jornalística tão irresponsável quanto é possível em relação à crise pela qual passa o País neste momento. Independente do ponto de vista, diariamente temos nos jornais uma aula de não jornalismo, com dados, documentos, fotografias e o que mais aparecer, manipulados, distorcidos, enviesados, sem a menor preocupação com a função primordial da profissão – a meu ver – a (in)formação social. Mas voltaremos nisso mais tarde.

Não custa lembrar que os sistemas de correios, por exemplo, só se desenvolveram a partir dos interesses dos líderes das grandes civilizações, do Antigo Egito ao Império Romano, por consideraram crucial o tráfego de informações por seus reinos.

Dos correios aos jornais partidários da revolução francesa e depois da revolução industrial, do telégrafo à própria internet, houve sempre um interesse escuso no desenvolvimento dos meios de comunicação, essa sim, inerente ao ser humano, mas cujas técnicas profissionais se relacionam diretamente com a assertividade bélica no uso das informações.

Não à toa, TARGET, ou seja, ALVO, é uma das principais palavras do jargão publicitário ainda hoje.

Se, como dito, a Comunicação em si é inerente ao ser humano, as profissões que sobre ela se dedicam são mais recentes. No Brasil, então, somente na primeira metade do século XX que os cursos universitários na área se estabeleceram. Estamos falando de apenas 100 anos de estudos e aplicações, que certamente interferem no fazer profissional de uma especialidade que, ainda por cima, sofre diretamente com o dinamismo das novas tecnologias.

Parece que quando a gente se acostuma com uma prática, ela já está ultrapassada; parece que quando a gente dominou tal estilo, ou tal estratégia, ele não surte mais efeito; parece que quando a gente se estabelece em uma organização profissional e pensa “agora a coisa vai”, ela vai mesmo… Para o buraco. Oras! Será que nunca vamos chegar a um consenso sobre COMO ENTÃO SE DEVE FAZER COMUNICAÇÃO?

Minha opinião é NÃO. E afirmar isso põe em cheque minha própria carreira: ensinar outras pessoas a serem jornalistas e publicitárias (e também designers gráficas). Afinal, se não se pode chegar a um consenso sobre a prática profissional, como é possível estabelecer o que exatamente ensinar nas escolas de comunicação? É aí que está o pulo do gato.

Foi com muita experimentação prática, mas também de observação do mercado, que pude perceber que não há fórmula mágica. Que não há pirâmide, seja ela invertida ou de Maslow que garanta a assertividade de um conteúdo sobre um determinado público. Já vi textos jornalísticos impecáveis que nunca foram lidos por quem precisava deles, e já vi campanhas publicitárias inteiras irem por água a baixo mesmo tendo seguido a cartilha proposta por Philip Kotler com toda sua bagagem de Comunicação Integrada de Marketing. Mas o que parece um desastre, na verdade, é uma coisa muito boa.

Porque se o comercial do Guaraná Dolly é tosco por um lado, todo mundo fala sobre ele por outro, mas se uma notícia é FUNDAMENTAL para o desenvolvimento de uma comunidade, o fato de ela estampar a capa do principal jornal do País não significa que ela cumprirá sua função.

Nesse sentido, ser interdisciplinar, religar os saberes das mais diversas áreas, se torna fundamental, e entender de gente, em toda sua COMPLEXIDADE, passa a ser o que nos move.

De alguma forma, isso nos foi facilitado pela resolução CNE/CES n° 1 de 27 de setembro de 2013, que instituiu as novas diretrizes curriculares para a graduação em Jornalismo no Brasil. Quem ingressou em JOR na UMC já em 2014 cursa uma matriz curricular atualizada, que além do estágio obrigatório, um espaço de extensão do aprendizado, dispõe de disciplinas que, em sala, guiam o aluno a colocar a mão na consciência e perceber que, mais que um contador de boas histórias, o jornalista é um fuçador das coisas do homem, que fala sobre gente, para gente e pela gente. E por isso entender de gente é FUN-DA-MEN-TAL.

No que diz respeito à Publicidade e Propaganda, o Ministério da Educação (MEC) ainda não atualizou as diretrizes curriculares para o ensino superior da atividade, mas isso deve acontecer em breve e, enquanto isso, a gente não espera de braços cruzados. A matriz de PP também foi revista, acompanhando o que aconteceu com a de Jornalismo e para praticar tudo o que aprende em sala, além das atividades das quais a gente tanto falou neste espaço ao longo do ano, agora os estudantes têm a sua disposição a AECom, Agência Experimental de Comunicação Integrada. Com orientação dos professores da Casa, estudantes de PP – e também de JOR e DG – aplicam seus conhecimentos em missões relacionadas a instituições do terceiro setor. Além da prática profissional, fica fortalecida a atividade extensionista dos cursos, colocando os estudantes em contato não só com o mercado, mas também com as pessoas que dele fazem parte. E oras, sem pessoas, não há Comunicação. Ponto.

Não tem jeito. Tem que colocar no lugar do outro, tem que se perguntar: se eu fosse ele, como gostaria de ser informado sobre esse assunto? E daí, das mais diversas formas, encontrar as alternativas; estejam elas em um saco de pão da padaria do bairro ou em um outdoor na metrópole.

*Professora coordenadora dos cursos de Design Gráfico, Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). E-mail: agness@umc.br.

 

Sobre redes, erros e o quanto ainda temos a percorrer

Confira abaixo o artigo escrito pelo professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Guillermo Gumucio.

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